Monday, February 09, 2009

Ausência

Se me perguntarem como eu me senti,
direi que me senti leve na ausência do alívio,
direi que me senti ausente dos sentimentos:
bons ou ruins, alegres ou tristes.
na ausência de vida, que deu em mim?
Se me perguntarem se tirei de alguém,
Não me defenderei, e que quem se ofender,
Sinta o alívio, pois muito mais me foi tirado.
Se alguém um dia me julgou inimigo,
Que se ponha em posição de vitória,
Pois fui derrubado pelo vazio.
Se me perguntarem se passou, se cicatrizou:
Direi que ainda é cedo, mesmo tarde demais.
Mas de todas as perguntas, a mais importante,
Se me fizeres, saiba que jamais esquecerei.
Mas que busco a compreensão completa,
As razões pelas quais o universo gira,
E porque amamos tanto alguém,
Que por tão pouco existiu.

Monday, January 12, 2009

Leite derramado

Só de ver o seu sorriso, 
já me acalma a alma.
É como se eu tivesse agora
a paz de outrora, e tudo aquilo que eu precisava.
Até quando vou seguir olhando
num retrato, seus olhos apertados,
janelas tão herméticas
que te trancam de mim,
e a todo instante um sim
maior que eu já fui um dia.
E uma histeria muda...
Vai chegando, entrando e dizendo:
- Hoje fico pra sempre!
E uma histeria muda tudo,
e a paz cai estatelada,
enquanto calada, só me resta chorar,
pelo leite derramado.
Mas não se desespere, 
eu bem sei que já é tarde.
E sei que o que me arde,
aí já passou.

(Cora Made)

Tuesday, August 12, 2008

Fôlego

Inspira, expira, inspira, expira...
E eu quase me esqueço de respirar
na ânsia do teu beijo.
Fui capaz de conter o ar
mas não o meu desejo.
Quando cruza o meu olhar
nesses teus olhos vejo
A mim, e me vejo assim
Em ti, nos gestos, quase iguais
Sonhando, buscando, semelhantes
E perco o fôlego de pensar...

Inspira, expira, inspira, expira
Concentro e a tua presença eu sinto
Pressinto o campo magnético
Quero um dia mais poético
Eu quero outro beijo pra guardar
Que me faça esquecer,
mais uma vez de respirar.

Inspira, expira, inspira, expira...
Pois me dispara e salta o coração
Porque pra mim tens forma de canção
E me inspira, inspira
e me expira a razão.

Tuesday, May 13, 2008

Geografia

E mais uma vez amar as palavras
Pois elas desafiam o impossível
E amar por palavras
Pois os corpos não se encontram
E onde não nos encontramos
Nessa geografia
Na minha, anatomia, eu te queria
O pensamento é vento sul
E eu penso em demasia
Então saio ventando uma canção
Que o vento me assovia
E fico leve, quase nuvem
Que se um dia me transformo
Carregue-me a ventania
Pra estar perto, pra juntar tudo
Misturar, quente e frio
Massas de ar, mãos,
O céu e o chão.
Nossos sorrisos vadios.
E quem sabe um dia
Não façamos chover
Em algum lugar, alguma alegria.

Monday, May 05, 2008

Madrugada

A madrugada me abraça
Ela tem uma voz suave
Voz de moça
Diz que gosta da minha companhia
Eu gosto dela
Ela é bela e fria
Como eu queria ser.

Eternidades

Eu sou a mulher do amor eterno
Mas não sou a garota perfeita
Tenho uns defeitos meus
E outros que comprei na feira
Eu não tenho vocação pra freira
Mas também não quero dar...
Atenção a essa corja
Carinho a quem não importa
Amor pra quem não sabe amar
Eu amo eternamente
Por saber dividir as partes
Do mundo que cabem a mim
E o que é dos outros
Amo eternamente por deixar
Passar, seguir, evoluir.

Haikai do adeus

Dar adeus sem dor
É provar que o amor
Pode ser eterno

Se o amor lhe basta

Conte-me suas doces mentiras
Dessas que só contamos
Pra nós mesmos
No escuro de nossos quartos
Conte-me que me vê
Que me enxerga como sou
Queira-me com todo desespero
Com destempero
Ama-me com esmero
Meu coração palpita apressado
Toma o rumo errado
Atropela seus sentidos
Usa de artifícios
Pra esconder-se de nós
Conte-me mentiras
Em que eu possa crer
Queira-me alguém
Que eu possa ser
Não me exija o mundo
Tudo que posso lhe dar
Sou eu, sou eu
E se isso lhe bastar
posso até lhe dar amor

Selo sagrado

Vou selar meus lábios
De forma perene
Pra nunca profanar
Nunca nem tentar
Vou selar meus lábios
Pra não falar de saudades
Pra não dizer de você
Nem mesmo o necessário
Vou selar meus lábios
Pois você é sagrado
E para sempre será
Ninguém nunca saberá
O seu nome, sua força
E se eu contar
Saberão apenas que é livre
Que voa no meu pensamento
Que vive nas minhas memórias
Selarei meus lábios
Pois ninguém saberá
Não de mim, quem é você
Homem dos sonhos
Das brisas, suave
Selarei estes lábios
Como se selam num beijo
Dos muitos
Meus, seus...
Beijos do universo
Que não aprisionamos

Tuesday, April 29, 2008

Gente

ou Poética 0,5 mg

Eu não escrevo manifestos
pois tenho uma veia poética,
e ela me trai.
E me atrai para estas vertentes
de tempo que insiste na gente
gente insistente em criar tempo
em criar calos que não doam
em criar cascas grossas
carapaças protetoras
em criar casos, confusão
criar caos, ou então
só casos de amor maior
a gente inventa tanto
cria contos, aumenta pontos
mas a gente ri
ri da gente, ou um do outro
a gente "é tendência"
que tende pra um lado
pros dois lados ou nenhum
Ultrapassa barreiras
ou quebra a cabeça tentando
a gente é peça importante
neste mundo quebra-cabeça
peça rara, figura bela
a gente não tem nada de figurativo
é literal, literário,
a gente não se esconde da chuva
nem dentro do armário
a gente sai, anda, vê e assiste a tv
a gente pensa, pesa, pena
mas não cansa de tentar
a gente ama, ama, ama, ama...
amar é mais que tudo
o que a gente faz de melhor
e depois faz terapia
recorre a 0,5 mg, 600ml
porque gente não é de ferro

Reservado

Não vou mais contar segundos
conto o canto dos pássaros
quantos bem-te-vis e sabiás
conto as ondas do mar
quantas batidas na areia
Não vou mais contar minutos
conto as músicas que ouço
e quantas palavras lhe cabem
e conto as palavras soltas
que bailam no meu espaço
não conto vantagem, não sei
sei da beleza que vejo aqui e ali
sei das conversas e dos amigos
como vão e se passam bem
sei quando está na hora
de chegar e de partir
sei do tempo de mudança
e pra isso nem preciso contar
é só não pensar em nada
sei dos meus segredos
e sei contá-los se quiser
mas isto é Se eu quiser
se os pássaros e as ondas ouvirem
as músicas e as palavras deixarem
os amigos e as conversas existirem
no meu momento exato
reservado para segredos.

Vontade

Confrontei-me com a novidade:
Eu também tenho vontade!
descobri que daquilo que preciso
tudo tenho num dentro meu
tenho uma precisão no sorriso
que cativa muitos,
e me amam tantos outros
e que não é por necessidade
pois coisa tal nunca passei
sou ser bem servido, eu sou
Confrontei-me com a novidade:
É querido servir ao redor
é desejo meu doar mais de mim
à todas as criaturas vivas
que cercam o meu jardim
Então tendo de tudo o bastante
não posso fazer reclamação
não posso destilar feitiços
não posso obrigar retribuições
não posso e nem quero
o que minha vontade expressa
há de ser só o bem. de todos.
e o meu e mais o meu.
e se acaso minha vontade
mudar de direção como o vento
que seja feita a Tua.

Saturday, April 26, 2008

Sincero

Poucas e ocas coisas
nesta vida sem direção
podem fazer tanto sentido
como este novo amor.
Depois de tantas palavras
proferidas ao léu
eu digo o que amor me diz
de ser feliz ao compartilhar
de ser feliz no olhar.
Depois de tanto esforço,
de ser obtusa e confusa,
é na paz em que me tenho
neste momento glorioso
que eu vejo meu caminho
que mesmo se sigo sozinha
ainda estou em paz,
pois esse amor é meu
e não há quem roube,
ao doa-lo, ainda o tenho,
ele me preenche e conforta,
é eterno, imutável, incondicional.
É pela honra que me toma
pela liberdade e lealdade
que o mundo me vem a tona
com outros seres, diferentes.
Perdoem-me se já não digo
se não me encontram mais
é porque não me vêem
se não me ouvem mais
é porque faço silêncio.
E perdoem-me se já não explico
se já não traço mapas
é que me tenho em mim
eu sei onde me encontrar.

(Ao homem mais livre que eu conheço, que é também o mais bonito e honrado, que me ensinou que as minhas poesias serão sempre minhas, mas que também me ensinou a compartilhá-las)
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